quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

CNTE critica reajuste de 0,37% no piso do magistério e cobra ação urgente do MEC

Percentual de 0,37% não valoriza o magistério e CNTE cobrará MEC por revisão urgente e pactuada!



Em edição extra do Diário Oficial da União, de 30/12/2025 (DOU nº 248 C), o valor aluno ano do Fundeb (VAAF) de 2025 sofreu sua última atualização e indicou o percentual de reajuste para o piso do magistério, em 2026, no percentual de 0,37%, conforme determina o art. 5º da Lei nº 11.738.

Por esse mesmo critério, a atualização do piso ficou em 0% em 2021, em 3,62% em 2024 (abaixo da inflação) e mais uma vez não corrigirá a perda inflacionária. A CNTE lutará pela reversão dessa situação.

Desde 2024, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 135 (oriunda da PEC 45/2024), que, entre outras coisas, realocou recursos do FUNDEB para financiar as matrículas em tempo integral sem acrescer novos valores ao financiamento da educação; e, não tendo o volume da arrecadação do ICMS retornado aos patamares de 2022, quando o ex-presidente Bolsonaro alterou alíquotas para tentar conter o preço dos combustíveis e de outros produtos e serviços visando sua reeleição, e, mais recentemente, os impactos do tarifaço de Trump em setores importantes da economia fizeram com que o FUNDEB e sua parte destinada à valorização dos profissionais da educação sofressem contenções sistemáticas, as quais a CNTE tentou ajustar através de sua atuação no Fórum do Piso do Magistério, recriado pela Portaria MEC nº 1.086, de 12 de junho de 2023.

A perspectiva de reajuste do piso do magistério abaixo da inflação – ou mesmo nulo – vinha sendo anunciada pela CNTE por mais de um ano, especialmente por ocasião da aprovação da PEC do teto de gastos de 2024 (vide matérias abaixo):





Pior: a perspectiva de um novo cenário de reajuste nulo ou abaixo da inflação para o piso do magistério se mantém para 2027, pois a EC nº 135 estabeleceu que, a partir de 2026, os fundos estaduais (FUNDEB) alocarão no mínimo 4% do total de seus recursos para financiar as matrículas em tempo integral, impactando ainda mais as políticas de valorização salarial. Vide a redação da referida emenda:

Art. 212-A, CF-1998 (EC nº 135/2024):

“XV - a partir do exercício de 2026, no mínimo 4% (quatro por cento) dos recursos dos fundos referidos no inciso I do caput deste artigo serão destinados pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios à criação de matrículas em tempo integral na educação básica, conforme diretrizes pactuadas entre a União e demais entes da Federação, até o atingimento das metas de educação em tempo integral estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação.”

Com base nesta conjuntura desafiadora, a CNTE buscou pautar no Fórum do Piso, desde 2023, algumas mudanças na Lei nº 11.738/2008, com duas perspectivas centrais: garantir o ganho real do piso, ano a ano, e descomprimir as carreiras do magistério nos estados e municípios.

Entre as propostas que chegaram a ser anunciadas ao longo de dois anos e meio de funcionamento do Fórum – contando os sete meses de inatividade do colegiado –, destacamos duas:

1. Alteração do critério de atualização do piso, estabelecendo a recomposição anual pelo INPC mais 50% da média de crescimento real das receitas do FUNDEB (VAAF) dos últimos cinco anos; e


2. Vinculação do piso à formação profissional de nível superior (graduação), com acréscimo de 25% sobre o valor destinado aos profissionais com formação na modalidade Normal de nível médio. E o piso de nível médio se manteria vinculado ao da graduação, sem perdas para esses profissionais.

Essas duas propostas foram apresentadas pela Direção da CNTE ao Conselho Nacional de Entidades da Confederação, que anuiu com as negociações neste sentido. Contudo, o Fórum do Piso, desde maio de 2025, sofreu forte boicote do CONSED e, infelizmente, o MEC não conseguiu destravar as negociações que foram suspensas.

Chegou-se a agendar uma reunião para o dia 15 de dezembro último, mas esta foi cancelada sem qualquer justificativa. Desde então, a CNTE tem sido informada através da imprensa sobre possíveis alternativas para compensar a deflação no critério de atualização do piso – especialmente por meio de entrevistas ou falas do ministro Camilo Santa à imprensa ou em eventos do CONSED e de outras entidades –, mas sem qualquer canal de escuta e/ou proposição direta com a pasta.

Diante da inatividade do Fórum do Piso e da perspectiva de reajuste abaixo da inflação, em outubro deste ano a CNTE se reuniu com o gabinete da ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, quando externou as preocupações com as políticas de valorização dos profissionais da educação, incluindo o PL nº 2.531/2021, que trata do piso dos Funcionários da Educação.

Este último acabou sendo aprovado na Câmara dos Deputados, antes do recesso de dezembro, com inúmeras incongruências que podem inviabilizar a concretização de um direito pelo qual a CNTE e os funcionários da educação aguardam desde a promulgação da EC nº 53/2006.

Portanto, a conjuntura com a qual nos deparamos agora e que indica o reajuste de 0,37% para o piso do magistério, em 2026, além de lacunas no PL nº 2.531/2021, poderia ter sido evitada, e ainda pode, desde que o Governo e, em especial, o MEC passem a agir com urgência.

Para tanto, a CNTE INFORMA QUE JÁ SOLICITOU AUDIÊNCIA COM O MINISTRO DA EDUCAÇÃO para discutir alternativas ao critério de atualização do Piso do Magistério, bem como para definir um cronograma para os trabalhos do Fórum do Piso e de acompanhamento do PL nº 2.531/2021 no Senado Federal.

Ainda sobre o piso do magistério, não está descartada a possibilidade de edição de Medida Provisória para recompor a inflação com ganho real, mas reiteramos que nenhuma proposta alternativa àquela debatida no Fórum do Piso foi apresentada à CNTE. E consideramos indispensável a participação dos/as trabalhadores/as em educação neste processo de definição das políticas de valorização da categoria.

Em breve, esperamos repassar informações positivas à categoria!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Educadores passam o Natal sem décimo terceiro e sem salário e correm risco de virar o ano no prejuízo

O fim de ano, que deveria ser marcado por descanso, celebração e segurança financeira, está sendo atravessado por incerteza, indignação e aperto no bolso para milhares de educadores e educadoras da rede estadual do Rio Grande do Norte.

Professores/as e demais trabalhadores em educação passaram o Natal sem receber o 13º salário, cujo prazo legal se encerrou em 20 de dezembro, e ainda convivem com a insegurança quanto ao pagamento do salário referente ao mês de dezembro.

O descumprimento da legislação trabalhista por parte do Governo do Estado transformou o período festivo em um cenário de tensão permanente

Diretores do SINTE RN e a categoria atravessam dezembro em mobilização constante, reuniões emergenciais e cobranças ao Executivo.

A situação se agravou com a indefinição do salário mensal, elemento básico para o sustento das famílias. O risco concreto para quem fez portabilidade e não tem no Banco do Brasil a sua conta-salario é que muitos trabalhadores e trabalhadoras atravessem o réveillon literalmente “lisos/a”, sem recursos que a lei garante e que são fruto de trabalho já realizado.

O coordenador geral do SINTE RN, professor Rômulo Arnaud, criticou duramente a condução do governo. Segundo ele, a direção do sindicato esteve na Secretaria de Administração nesta segunda-feira e recebeu a confirmação de que o pagamento do salário de dezembro está previsto apenas para o dia 31.

Sobre o décimo terceiro, Rômulo explica que o sindicato ingressou com ação judicial para garantir o pagamento ainda em dezembro. "Mesmo com todos os procedimentos legais cumpridos e acompanhamento da assessoria jurídica, a ação ainda não foi julgada. O governo anunciou que pretende pagar o décimo apenas no dia 9 de janeiro". A decisão foi classificada pelo dirigente sindical como "inadmissível e lamentável", já que se trata de um direito trabalhista com data definida em lei.

O SINTE seguirá cobrando, denunciando e utilizando todos os instrumentos políticos e jurídicos disponíveis.

SINTE MOSSORÓ. Uma Regional Sempre na Luta

MEC negocia nova fórmula para calcular piso salarial de professores, mas esbarra em resistências

 Lei que criou a regra atual tem sido questionada por estados e municípios e, por isso, precisa ser atualizada; ministro diz que busca consenso

Brasil elevou proporção de crianças e adolescentes frequentando a escola em 2024 - Foto: Sumaia Vilela / Agência Brasil


O Ministério da Educação (MEC) negocia com professores, estados e municípios um novo cálculo para o piso salarial para a categoria.

Atualmente, a fórmula estipulada em lei tem tido a sua validade questionada na Justiça e também é criticada por gestores educacionais por falta de previsibilidade, uma análise que é compartilhada pelo ministro da Educação, Camilo Santana. A proposta do governo é garantir que todo ano haja aumento real aos docentes. Porém, encontra resistências nas negociações.

— A gente só quer apresentar um projeto de lei se for consensual, em que tanto o representante dos professores concorde com o modelo, quanto os municípios e os estados — afirmou o ministro Camilo Santana.

A projeção para 2026 é de um reajuste de 2,9% com a fórmula em vigor — abaixo da inflação, cuja previsão é de 3,5%. Esse percentual, no entanto, ainda pode mudar a depender do último trimestre da economia.

Há duas semanas, Camilo afirmou na Paraíba que vai aguardar a definição desse patamar e que “o importante é que os professores não podem ter menos que a inflação”. Em 2025, o aumento foi de 6,27%, o que levou o piso ao patamar de R$ 4.867,77. À época, o governo chamou a atenção para o fato do reajuste ter sido acima da inflação, de 4,77% no acumulado de 2024.

— A Lei do Piso do magistério foi uma vitória dos professores. Se não fosse ela, a defasagem salarial em relação a outros profissionais seria ainda mais alta — disse o ministro.

Criada em 2008, a lei define um valor mínimo que prefeituras e estados são obrigados a pagar aos seus professores. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que o salário médio dos professores numa escola pública subiu de R$ 4,8 mil, em 2012, para R$ 5,3 mil, em 2024. Já as demais profissões com o mesmo nível superior foram de R$ 7,4 mil para R$ 6,2 mil. Ainda assim, um docente da escola pública recebe apenas 86% do que alguém que tem o mesmo patamar de escolaridade. A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que ficou em vigor entre 2014 e 2024 previa que isso tivesse se equiparado até 2020.

Entenda as regras

A atual norma determina que o piso seja reajustado sempre em janeiro com o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo investido por aluno dos anos iniciais do fundamental urbano — uma métrica específica do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que é o principal mecanismo de distribuição financeira da educação pública no país.

Na prática, quando a economia cresce em relação ao ano anterior, esse reajuste é maior. Quando cai, os professores ficam sem nada de aumento. Essa flutuação aconteceu de forma mais abrupta durante a pandemia. Em janeiro de 2021, não houve ganho salarial algum. No ano seguinte, o índice foi de 33%. Por isso, a fórmula é considerada inconsistente, o que é ruim tanto para os docentes, que podem não receber nem a correção da inflação; quanto para os gestores, que eventualmente precisam pagar mais do que podem.

— A ideia é que o novo piso considere a inflação mais a média de crescimento do Fundeb nos últimos cinco anos — revela Camilo.

O Globo apurou com duas fontes que, na última reunião do grupo de trabalho que discute o tema, uma nova proposta foi discutida: o reajuste seria o Índice de Preços ao Consumidor (INPC) mais 30% do próprio INPC.

Das duas formas em debate, os professores garantiriam aumento real todo ano. Mas ambas sofrem resistências, sobretudo dos estados, que têm as maiores redes e teriam os maiores impactos, mas também de parte das prefeituras.

— A gente precisa de uma fórmula que não tenha uma variação tão grande. Um ano é zero; o outro é 30%. Isso cria certa instabilidade. Fui gestor e sei o que significa isso. Você não tem previsão de pegar um ano com um aumento de 15% de uma vez, três vezes a inflação — diz o ministro.

Um representante dos municípios afirmou ao GLOBO que, no caso de queda de arrecadação, fica difícil para as prefeituras pagarem um reajuste até mesmo apenas pela inflação. Por isso, os gestores pedem contrapartidas do MEC, como ajuda para pagar parte desse reajuste, com verbas além do Fundeb, e travas para momentos de crise financeira.

Por parte dos professores, também há resistências para mudança de fórmula já que, ao longo tempo, o cálculo atual tem garantido aumento maior do que novas propostas gerariam. No entanto, um estudo do Inep, responsável pelas estatísticas do MEC, mostra que apenas 13 (48,1%) das 27 redes estaduais e distritais, além de 2.259 (43,4%) das 5.201 redes municipais avaliadas, apresentaram remunerações médias iguais ou superiores ao piso salarial nacional em mais de 90% de seus contratos.

Insegurança jurídica

A demanda para construção de uma fórmula para o piso se fortaleceu a partir de 2021. No ano anterior, o Congresso aprovou a renovação do Fundeb através de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

No entanto, a lei que determina o reajuste anual aos professores está ancorada no antigo Fundeb, que foi extinto com a renovação do fundo em 2021. Por isso, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) defende todo ano que prefeitos não são mais obrigados a garantir os reajustes do piso anunciados em decreto pelo MEC no mês de janeiro.

Alguns municípios, segundo Camilo Santana, já conseguiram decisões judiciais favoráveis com esse mesmo entendimento, e o caso aguarda para ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF):

— Compreendemos que estados e municípios são obrigados a pagar o piso, mas há essa insegurança, e muita gente conseguiu liminar para não pagar. A nova lei dará mais segurança.

Outra novidade que a regra deve trazer é a mudança na data em que o reajuste é fechado. Em janeiro, os orçamentos anuais de estados e municípios já estão definidos — em geral, isso ocorre em outubro ou novembro do ano anterior.

Como os reajustes só são anunciados em janeiro, gestores da educação não sabem durante a tramitação do orçamento qual será o valor do novo piso e precisam adequar as contas no começo do ano seguinte para cumprir a regra. Essa é uma das principais reclamações a respeito da atualregra. Camilo Santana, que esteve à frente do Ceará entre 2015 e 2022, entende que o modelo precisa de ajustes.

Com informações do jornal O GLOBO

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Feliz Natal !

 

SINTE/RN aciona Justiça em pleno feriado de Natal para garantir pagamento do 13°




Ação Coletiva com pedido de liminar foi protocolada na manhã deste dia 25 de dezembro; sindicato cobra do Estado e do IPERN o pagamento do 13°

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública do Rio Grande do Norte (SINTE/RN) ingressou, na manhã deste feriado de Natal (25), com uma Ação Ordinária Coletiva com Pedido de Tutela de Urgência contra o Governo do Estado e o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (IPERN). O objetivo central da medida é obrigar o Executivo a realizar o pagamento de aposentados e pensionistas na mesma data e condições dos servidores da ativa.

O processo, registrado sob o número 0912559-90.2025.8.20.5001, tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal e foi distribuído às 10h18 desta quinta-feira.

Isonomia no Calendário

Segundo a peça protocolada pelo advogado da entidade, Carlos Gondim Miranda de Farias, a categoria busca reverter o cenário atual de escalonamento ou diferenciação que penaliza os inativos. 

"A ação exige o pagamento igualitário, garantindo que quem já dedicou anos ao serviço público não seja preterido no calendário financeiro do Estado", comentou o coordenador geral do SINTE, professor Rômulo Arnaud.

Além da questão do calendário mensal, documentos anexados ao processo indicam que a ação também abarca a regularização de passivos, citando especificamente o "13º salário atrasado", um tema recorrente de embates entre o sindicato e a gestão estadual.

Detalhes da Ação

A ação, que tem o valor da causa estipulado em R$ 100.000,00, fundamenta-se, entre outros pontos, no Abono Pecuniário e no Artigo 78 da Lei 8.112/1990.

Entre os documentos anexados para comprovar a legitimidade do pleito, constam a ata de posse da diretoria do sindicato, o estatuto da entidade e uma petição inicial detalhando os débitos referentes ao ano de 2025.

Por se tratar de um pedido com Medida de Urgência (Liminar), o SINTE/RN espera uma decisão judicial célere, visando impedir que novos pagamentos sejam realizados de forma discriminatória já nos próximos ciclos de folha salarial.


Com informações do SINTE/RN - Regional de Mossoró

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

SINTE/RN vai acionar a justiça por pagamento do 13o em 2025


O SINTE/RN já acionou sua assessoria jurídica para entrar com uma ação judicial cobrando o pagamento do 13⁰ ainda este ano. A medida acontece logo após o governo do estado divulgar que só pagará o décimo em 9 de janeiro de 2026.

Governo do RN confirma pagamento do 13º salário para 9 de janeiro de 2026


O Governo do Estado do Rio Grande do Norte informa que o pagamento do 13º salário dos servidores públicos estaduais - ativos, aposentados e pensionistas - será realizado em 9 de janeiro de 2026, terceiro dia útil do mês.

A definição do calendário considera o atual cenário financeiro e o compromisso com uma programação responsável, assegurando o pagamento integral da folha.

A medida reforça o empenho da gestão em manter a regularidade dos pagamentos e a continuidade dos serviços públicos.


Natal, 24 de dezembro de 2025

Governo do Estado do Rio Grande do Norte