sexta-feira, 31 de julho de 2026

Agentes educacionais recebem retroativo após atuação do SINTE/RN

 

Os agentes educacionais I e II da rede municipal de ensino de São José de Mipibu receberam, junto com o salário de julho, o pagamento do retroativo do adicional de insalubridade e do auxílio-transporte referente aos meses de março e abril de 2026.

O pagamento representa mais uma importante conquista da categoria e é resultado da atuação permanente do SINTE/RN – Núcleo São José de Mipibu, que esteve à frente das negociações com a Secretaria Municipal de Educação e a Prefeitura para garantir a criação das leis que asseguraram esses direitos e, posteriormente, a quitação dos valores que ainda estavam pendentes.

Desde a aprovação do Plano de Cargos, Carreira e Salários dos agentes educacionais, em 2013, a categoria reivindicava a regulamentação e a implantação desses benefícios. Após anos de mobilização, diálogo e negociação, as leis foram aprovadas e os direitos passaram a ser efetivados no primeiro semestre de 2026.

Com a implantação, restaram em aberto os pagamentos referentes aos meses de março e abril. O SINTE/RN intensificou as tratativas com a administração municipal e conseguiu assegurar a inclusão do retroativo na folha de julho, beneficiando todos os servidores efetivos contemplados pelas novas legislações.

A diretora administrativa do SINTE/RN – Núcleo São José de Mipibu, Rozangela Souza, destacou que a conquista é fruto do bom entrosamento da categoria e do sindicato nas comissões e mesas de negociação com o Poder Público.

"O pagamento do retroativo representa o cumprimento de um compromisso assumido com os agentes educacionais. O sindicato seguirá vigilante para garantir a efetivação dos direitos conquistados e continuar avançando na valorização dos trabalhadores e das trabalhadoras da educação municipal", destacou Edimar Vicente, diretor do Núcleo Sindical e da Regional de Parnamirim.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Sinte-RN convoca trabalhadores(as) da Rede Estadual para Assembleia no dia 6 de agosto

O Sinte-RN convoca os(as) trabalhadores(as) em educação da Rede Estadual para participarem da Assembleia da categoria, que será realizada no auditório do SINTE-RN, na próxima quinta-feira, 6 de agosto, às 14h.

O encontro será um importante espaço de avaliação, debate e definição dos próximos encaminhamentos da luta em defesa dos direitos da categoria. Entre os principais pontos da pauta está a avaliação da primeira reunião da Mesa Permanente de Negociação com o Governo do Estado, além de temas que seguem mobilizando os(as) profissionais da educação.

Confira a pauta da Assembleia:

  • Avaliação da primeira reunião da Mesa Permanente;
  • Retroativo de 2026;
  • Enquadramento dos(as) aposentados(as);
  • Implantação da GME para funcionários(as) da SEEC;
  • Concurso público;
  • Luta em defesa dos(as) servidores(as) que ingressaram sem concurso público; e
  • Encaminhamentos.

O Sinte-RN reforça a importância da participação de toda a categoria.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Rede Estadual: resultado da reunião com o governo nessa quarta-feira (29)


O Sinte-RN cobrou na primeira reunião da Mesa Permanente de Negociação, realizada nesta quarta-feira (29), respostas imediatas do Governo para as principais pautas da Rede Estadual. Entre as principais reivindicações estão o pagamento do 13° salário, o retroativo de 2026 e o enquadramento dos funcionários aposentados no PCCR. O Sindicato também cobrou progressões e promoções, pagamento do 1/6 de férias, relatório de reformas de escolas, disponibilidade de dirigentes sindicais e realização de concurso público para professores e funcionários.

Retroativo de 2026

O Sindicato defende que o retroativo de 2026 seja pago com 40% dos recursos do precatório do Fundef, conforme deliberação da última Assembleia da categoria.

O Governo respondeu que os recursos estão reservados para reformas de escolas e informou que vai dialogar com a PGE e com o Gabinete Civil sobre a questão. Uma resposta foi prometida até o dia 28 de agosto.

13° e 1/6 de férias

De acordo com a SEEC, a Secretaria da Fazenda informou que está mantida a previsão de pagar os 40% do 13° para ativos no dia 11 de agosto.

O 1/6 de férias segue sem data. A SEEC alega falta de recursos, mas disse que há esforço para pagar.

Progressões e promoções

O Governo informou que as progressões e promoções estão em avaliação e serão retomadas nas próximas reuniões.

Disponibilidades de dirigentes sindicais

O Sinte-RN apresentou os pedidos de disponibilidade de dirigentes da entidade. O Governo recebeu os requerimentos e vai analisar.

Reformas, enquadramento e concursos

O Governo vai entregar ao Sinte-RN um relatório de reformas das escolas da Rede Estadual.

Em relação ao enquadramento dos aposentados no PCCR, o Estado vai consultar a PGE e fazer o impacto financeiro para levar à Mesa no próximo encontro.

Quanto aos concursos, novas convocações serão avaliadas após o fim do prazo de apresentações. No caso do concurso para funcionários da educação, há vagas, mas o enquadramento está em fase de prorrogação. O Sinte-RN propôs criar uma comissão para estudar e dialogar sobre o novo concurso.

Ficou acordado que as reuniões da Mesa permanente ocorrerão na última sexta-feira de cada mês, sempre às 14h. A próxima será realizada em 28 de agosto.

#RedeEstadual #Educação #RN #Sindicato #SinteRN

Lula critica homeschooling e modelo cívico-militar na educação

Lula critica educação em domicílio e a defesa da escola cívico-militar (crédito: Reprodução/Youtube Lula Oficial) 


Por Francisco Artur de Lima
Correio Braziliense

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (28/7) o endosso a investimentos em escolas cívico-militares e à possibilidade de as famílias lecionarem crianças em domicílio, o homeschooling, como possíveis soluções à educação brasileira.

"Quando aparece alguém clamando a escola cívico-militar como solução à educação, alguma coisa está errada. Quando aparece alguem dizendo que não quer que o filho vá à escola porque quer que o filho aprenda em casa, alguma coisa está errada", afirmou Lula, em discurso realizado na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ).

Atreladas ao bolsonarismo, as bandeiras da escola civil-militar e do homeschooling foram classificadas por Lula como uma "supremacia da ignorância tentando vencer o pensamento da maioria da sociedade". Em agenda no estado do Rio de Janeiro, nesta terça, Lula foi às terras fluminenses em meio a empate técnico com o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, em pesquisa divulgada pelo instituto RealTime Big Data.

Além de criticar educação em domicílio e a defesa da escola cívico-militar, Lula frisou ter sido o presidente que mais investiu em educação superior. "Não pode ser normal que um torneiro mecânico que só tem um diploma primário passe para a história como o presidente que mais investiu em universidades na história do país", disse, ao criticar pessoas "letradas" que já governaram o país.

Pesquisa investiga como a polarização afeta o dia a dia de professores/as

Atenção: questionário deverá ser respondido até 31 de julho de 2026 !


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) firmou uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para realizar uma pesquisa para entender a rotina dos/as professores/as. O questionário online e anônimo busca compreender como o contexto social e político atual no Brasil têm afetado o trabalho da educação.

O estudo, produzido pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP), se debruça sobretudo na rotina de professores/as dos anos finais do fundamental e do ensino médio que atuam na rede pública. Para responder, clique neste link.

“Para nós, trabalhadores de educação, a pesquisa é uma oportunidade de denunciarmos a situação, o assédio e o ataque à nossa liberdade de cátedra. Vamos trabalhar para garantir uma grande participação e construirmos juntos um importante diagnóstico que potencialize e qualifique ainda mais a nossa luta em defesa da educação pública de qualidade, com profissionais valorizados e respeitados”, disse o secretário-geral da CNTE, Fábio Moraes.

Os resultados podem fortalecer os conhecimentos qualificados sobre a educação básica brasileira, compromisso histórico da Confederação. Com dados sólidos e a união dos/as educadores/as, será possível transformar evidências em políticas públicas eficientes.

Sobre a pesquisa

O estudo está em desenvolvimento desde 2023. A professora da FGV/EAESP Gabriela Lotta é a coordenadora da pesquisa e conta com a colaboração de Virginia Rocha, pesquisadora de pós-doutorado, e Juliana Rocha Miranda, doutoranda. A ideia para uma etapa de questionário surgiu a partir de entrevistas qualitativas com professores da rede pública, o processo anterior do trabalho.

As perguntas abordam a relação com os estudantes, confiança na direção do estabelecimento de ensino, problemas com responsáveis e outros aspectos do trabalho docente. No início, o participante deve selecionar entre as opções “discordo totalmente”, “discordo parcialmente”, “nem discordo, nem concordo”, “concordo parcialmente” e “concordo totalmente”.

Em seguida, as perguntas tratam de situações específicas que exigem a escolha de uma única resposta para atender cada exemplo. Levam cerca de 25 minutos para responder o questionário.

Como solicitar a sua Carteira de Filiado(a) do SINTE/RN


A partir da primeira semana de agosto, o Núcleo do SINTE/RN de São José de Mipibu, em parceria com o SINTE Estadual, iniciará a confecção das carteiras dos (as) trabalhadores (as) das redes municipal e estadual.

Para solicitar a sua carteira, siga este passo a passo:

📱 1º Passo: Informações para confeccionar a carteira

Para que sua carteira seja feita, envie:

📸 Uma foto legível

  • De preferência, com boa iluminação e o rosto bem visível.

👤 Nome completo

🆔 Número da matrícula I Número do CPF

🏛️ Informe por qual rede você é filiado(a):

  • Governo do RN (Rede Estadual); ou

  • Prefeitura Municipal de São José de Mipibu (Rede Municipal).

📌 Informe o órgão ao qual você pertence:

  • SEEC/RN - Secretaria Estadual de Educação e Cultura do RN (Estado); ou

  • SME/SJM - Secretaria Municipal de Educação  (Prefeitura Municipal de São José de Mipibu).

💼 Informe o seu cargo:

  • Professor(a);

  • Coordenador(a);

  • Agente Educacional I ou II; 

  • Funcionário(a) GAxE, GTE ou GAnE.

📋 2º Passo: Envie as informações por WhatsApp

Encaminhe os seus dados para um dos números abaixo:

📞 (84) 9 9104-1183

📞 (84) 9 9147-8224

🏢 3º Passo: Confecção da carteira

Após o envio das informações, sua carteira será confeccionada pelo SINTE/RN, em Natal.

📦 4º Passo: Entrega

Assim que as carteiras estiverem prontas, elas serão enviadas para São José de Mipibu, onde o Núcleo do SINTE/RN fará a distribuição aos trabalhadores filiados.

📢 Importante: Confira todas as informações antes de enviar. Isso ajuda a evitar erros na emissão da sua carteira e agiliza todo o processo.

🤝 Em caso de dúvidas, entre em contato com o Núcleo do SINTE/RN pelos números de WhatsApp informados acima.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A epidemia de violência contra professores no Brasil: 'Fui ameaçada de morte pelo pai de um aluno de 6 anos'

Mais de 65% dos professores brasileiros dizem já ter sofrido alguma forma de agressão na sala de aula ou ambiente escolar, diz pesquisa.


Thais Carranca
BBC News Brasil em São Paulo (SP)

A professora Marta não consegue esquecer o que ela descreve como a situação mais agressiva pela qual passou em seus 50 anos de vida e 26 de magistério. Em março de 2023, ela foi ameaçada de morte pelo pai de um aluno do 1º ano do ensino fundamental.

"Ele ligou na escola e falou que 'ia matar aquela vagabunda'", lembra a professora de uma escola municipal da Zona Oeste de São Paulo, que preferiu ter seu nome verdadeiro preservado nesta reportagem.

"Como onde trabalhamos é uma comunidade, essas coisas não podem ser negligenciadas, porque a lei ali é diferente."

Ela conta que o pai do aluno era conhecido por "ter um certo cartaz na comunidade" (ou seja, ter envolvimento com o crime, ela explica) e estava insatisfeito com a performance escolar do filho, que, com 6 anos, tinha dificuldade para entender a lição de casa e não estava se adaptando bem à transição do ensino infantil para o fundamental. A família culpava a professora pelos problemas.

Marta soube da ameaça de morte pela coordenadora da escola, quando estava já em seu segundo emprego, em outra escola da região. Naquela noite, ela conta que fez um boletim de ocorrência na polícia, acompanhada apenas pelo marido.

"Passei a noite na delegacia e me senti muito sozinha, não teve ninguém da gestão junto comigo", relata a professora.

"No dia seguinte, eu não podia voltar à escola, então fui ao médico. Contei todo o ocorrido à psiquiatra, e ela me afastou imediatamente."

Com medo, Marta optou por não representar criminalmente contra o agressor. A Prefeitura a afastou da escola onde ocorreu o fato, e ela completou o ano letivo em outra unidade.

Então, minhas perdas não foram tantas, mas meu problema psicológico foi horroroso, porque eu não sabia com quem eu estava lidando", diz a professora, que mora próximo à comunidade onde fica a escola.

"O meu quarto tem uma vidraça na frente, e eu cheguei a pedir para meu marido para trocar de quarto, porque achava que poderia sofrer alguma agressão. Fiquei com pânico de dormir."

O caso da professora paulistana não é um fato isolado. Uma pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP) com 1.144 professores revela que 65% dos entrevistados afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão em sala de aula ou no ambiente escolar.

A violência verbal é a mais comum, representando 71% das agressões, seguida pela psicológica e moral (58%), a institucional (27%) e a física (19%).

O Brasil também lidera o ranking de violência contra professores em levantamento feito em 2024 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ouviu 280 mil professores e diretores de escola de 55 países.

No país, 47% dos professores relatam ser intimidados ou abusados ​​verbalmente por alunos como uma fonte de estresse, ante uma média global de cerca de 18%.

O tema da violência contra educadores voltou ao debate público após o caso da professora Michele Ramos, de São José dos Campos, que registrou um boletim de ocorrência depois de alunos colocarem uma lâmina de vidro em seu copo de água durante a aula em uma escola municipal.

A BBC News Brasil procurou a Secretaria de Educação e Cidadania de São José dos Campos para saber as providências tomadas em relação ao caso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A profa. Michele Ramos, de S. José dos Campos, registrou um B.O. após alunos colocarem uma lâmina de vidro em seu copo de água


Múltiplas formas de violência

A psicóloga Renata Paparelli, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), trabalha com o atendimento clínico de professores vítimas da violência da rede municipal de São Paulo.

Ela afirma, a partir de sua experiência, que os professores estão sujeitos a múltiplas formas de violência em seu cotidiano. "Costumamos dizer que tem a violência da escola, a violência na escola, e a violência contra a escola", diz Paparelli.

A violência da escola, explica a psicóloga, é a que resulta de políticas públicas pouco afeitas às características da população a ser atendida.

"Elas vêm de cima para baixo, incorporando projetos sem oferecer as mínimas condições para a realização deles", diz a psicóloga.

"Um dos exemplos, na maior parte das escolas ou em muitas escolas, são os projetos de inclusão dos PCDs [pessoas com deficiência] nas salas de aula regular. Longe de ser contra essa ideia, mas sabemos todos que é preciso que haja condições para essa implantação."

A violência na escola é a mais conhecida e que, com alguma frequência, chega ao noticiário, diz Paparelli. "São os alunos contra os educadores, e também a gestão pouco aberta ou impotente diante das demandas dos educadores", exemplifica.

Por fim, a violência contra a escola abrange as depredações do patrimônio escolar e a desvalorização da escola como instituição importante para a educação de crianças e adolescentes. "A escola e seus educadores vêm ganhando cada vez menos espaço prestigiado [na sociedade]", observa.

O Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es da Universidade Federal Fluminense (Onve-UFF) tem ainda acompanhado nos últimos anos o avanço da perseguição contra professores, uma forma de violência que se expressa em práticas como censura, tentativas de intimidação, exposição nas redes sociais e assédio jurídico.

Segundo estudo realizado pelo grupo com mais de 3 mil educadores, 61% dos professores da educação básica e 55% do ensino superior dizem já ter passado por esse tipo de violência.

foto,Falta de estrutura adequada para atender alunos com deficiência é apontada como uma das formas de violência nas escolas públicas


Soco no peito e dedo decepado

Citada pela professora da PUC-SP como uma das formas de violência no ambiente escolar, a falta de estrutura e pessoal suficiente para atender aos alunos com deficiência na educação regular pública está no centro de alguns dos episódios de violência física vivenciados por professores.

Pedro, de 40 anos e professor em uma escola municipal no bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, foi agredido com um soco por um aluno com autismo.

O caso ocorreu em 2024, em um dia em que o grêmio da escola realizava uma atividade sobre o Dia do Orgulho LGBTQIAP+.

"Era um aluno com deficiência, mas que tinha esses acessos de agressão, e não sabemos exatamente, mas parece que ele frequentava esses fóruns de extrema direita, e tinha muito ódio quando se falava sobre questões como feminismo, orgulho LGBT, etc", conta Pedro, que teve sua identidade preservada nesta reportagem.

"Ele foi para cima das alunas que estavam realizando a atividade, eu intervi para evitar que elas fossem agredidas, e acabei tomando um soco", lembra o professor. "Os alunos e inspetores depois ajudaram a contê-lo."

"Quando cheguei em casa e fui tomar banho, vi a marca da mão dele no meu peito. Eu fiquei bem, bem triste."

Pedro fez um relato do episódio à escola e recebeu a opção de se afastar com uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), documento enviado ao INSS para informar sobre doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.

"Mas eu pensei 'não, vou encarar e voltar'. Porque, muitas vezes, quando acontecem esses casos de colegas que são afastados por essas situações, fica difícil voltar depois."

Atividade sobre o Dia do Orgulho LGBTQIAP+ gerou reação de aluno autista e resultou em agressão contra professor em São Paulo

A professora Michelle Bernardes está nesse momento afastada há quase três meses, após um episódio ainda mais grave do que o de Pedro, e também envolvendo um aluno com deficiência.

Educadora em uma escola municipal na Zona Leste de São Paulo, ela teve o dedo médio da mão direita parcialmente decepado em sala de aula, enquanto tentava organizar a turma em que um aluno com deficiência intelectual passava por uma crise de desregulação emocional, atirando carteiras e cadeiras ao chão.

"Para protegê-lo e proteger os estudantes que estavam na sala, e os estudantes que estavam fora, no corredor, eu fui para a porta da sala de aula segurar, ficar ali, e orientar os estudantes", contou Michelle, em vídeo publicado no Instagram.

Em meio à confusão, o estudante chutou a porta da sala de aula, que bateu na mão da professora, resultando na amputação de um de seus dedos.

"Eu pensei, 'caramba, quebrei meu dedo'. Mas não foi só uma quebra, ele foi de fato decepado. Não sei como não desmaiei, mas estava preocupada com o estudante que precisava de regulação e com os demais, que estavam apavorados", relatou a professora.

"Uma estudante conseguiu pegar o resto do dedo no chão e me deu, fomos para a UBS do lado da escola, que me atendeu com todo cuidado", completou.

Agora, Michelle se recupera após passar por duas cirurgias e aguarda que o dedo ferido cicatrize para poder começar a fisioterapia e devolver alguma funcionalidade ao que restou do membro parcialmente amputado.

"Então, passo por uma dor individual, que estou tendo que trabalhar comigo, e uma dor coletiva, pois não desejo que nenhum estudante e nenhum educador passe pelo o que eu estou passando", diz a professora, à BBC News Brasil.

A professora Michelle Bernardes teve um dedo decepado após um aluno com deficiência chutar a porta da sala de aula

"O estudante não tem culpa por ter se desregulado, é um estudante com deficiência", afirma.

"Mas precisamos urgentemente de políticas públicas que incentivem e auxiliem com qualidade a presença de todos os estudantes nas escolas, inclusive os estudantes com deficiência, os estudantes autistas, os estudantes neurodivergentes."

Questionada sobre como responde aos casos de violência contra professores, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo afirmou que "promove a cultura de paz e a prevenção das violências nas unidades educacionais por meio de iniciativas como o Programa Entre Nós, as Comissões de Mediação de Conflitos (CMCs) e ações formativas em parceria com o Instituto Vladimir Herzog".

Quanto às críticas à falta de estrutura nas escolas para atendimento aos alunos com deficiência, a pasta disse em nota que "fortalece a educação inclusiva com a ampliação de professores especializados e de apoio à inclusão nas 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs)". E que o número de Auxiliares de Vida Escolar (AVEs, profissionais que prestam apoio a alunos com deficiência) aumentou 144% na rede a partir de abril deste ano, somando atualmente 2.937 profissionais.

Os efeitos da violência na saúde mental dos professores

Renata Paparelli, da PUC-SP, observa que os professores sujeitos à violência sofrem de problemas de saúde mental diversos, como burnout (esgotamento em resposta ao estresse crônico no ambiente de trabalho), depressão e transtorno do estresse pós-traumático.

"O transtorno do estresse pós-traumático está relacionado com a violência e com a ameaça continuada de violência, ou com a violência explícita nessa violência física", afirma.

"São muitos casos que recebemos de educadoras que sofreram violência de alunos, quer seja mordida, arremesso de materiais, ameaças explícitas, ameaças veladas, bem como ameaças de familiares ou da gestão da escola", relata.

"A violência psicossocial continuada — a bronca, o grito — também pode desencadear quadros de estresse pós-traumático e está relacionada com casos de burnout, na medida em que o professor é colocado numa situação muitas vezes na rede pública, em que ele tem que dar conta de tudo, em instituições em que tudo falta. É a violência da falta de condições de trabalho."

Professores vítimas de violência sofrem com burnout, depressão, ansiedade e transtorno do estresse pós-traumático

A psicóloga observa que, não à toa, os professores estão entre as categorias profissionais que mais se afastam do trabalho por problemas de saúde mental.

Números obtidos pelo Centro do Professorado Paulista referentes apenas aos professores estatutários (aqueles aprovados em concurso público para a carreira do magistério) da rede estadual de São Paulo revelam que, em 2024, foram concedidas mais de 42 mil licenças por transtornos mentais e comportamentais para professores, ou mais de 115 por dia.

Em 2025, até o mês de setembro, foram mais de 25 mil licenças por problemas de saúde mental, segundo os dados da Secretaria de Gestão e Governo Digital do Governo do Estado de São Paulo.

Paparelli diz que a trajetória dos professores vítimas de violência em geral começa com afastamentos por períodos curtos.

"Mas, depois, esses afastamentos já não dão mais conta. Aí começam os afastamentos mais prolongados, até o quadro de readaptação funcional", observa.

A readaptação funcional é um direito do professor que, por algum problema de saúde, não pode mais trabalhar em sala de aula, passando a exercer outras funções dentro da escola.

"Mas é muito comum que essas pessoas não tenham nada para fazer. A pessoa está mal de saúde mental e é condenada ao isolamento e à humilhação cotidiana de não fazer nada", diz a psicóloga.

Em relação à saúde mental dos professores, a Secretaria Municipal de Gestão de São Paulo afirma que realizou 55 grupos de avaliação entre 2025 e 2026, com a participação de 1.043 servidores.

Ainda segundo a pasta, "no mesmo período, o Programa de Orientação e Proteção em Saúde Mental dos Servidores (Rede Somos) acolheu 720 servidores e promoveu 2.228 ações de saúde."

'É preciso estreitar laços entre escola e comunidade'

Diante desse quadro, as soluções para o problema da violência contra professores dividem representantes da categoria.

O Centro do Professorado Paulista, por exemplo, defende uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para que alunos possam ser responsabilizados em casos de violência.

"Temos que entender que o ECA é de 1990, e a criança e o adolescente de 1990 são diferentes da criança de hoje", argumenta Ana Carolina Soares, advogada do CPP.

"Tem que existir algum tipo de limite para o aluno dentro da unidade escolar, em proteção do professor", diz Soares, que defende ainda a corresponsabilização dos pais.

Roberto Guido, presidente interino da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), vê a proposta de mudança do ECA com descrença e avalia que, para reduzir a violência, é preciso melhorar as condições de trabalho dos educadores e estreitar laços entre escola e comunidade.

'A ausência de diálogo com as comunidades aumenta a violência nas escolas', diz Roberto Guido, da Apeoesp

"A escola não é uma ilha, portanto, a violência que assistimos no conjunto da sociedade também está presente na escola", diz Guido.

"A ausência de diálogo com as comunidades contribui muito para o aumento da violência nas escolas. Quando você tem uma escola integrada na comunidade, esses problemas de violência e indisciplina são minimizados."

Renata Paparelli, da PUC-SP, tem avaliação similar. "Uma escola precisa de equipe e de condições de trabalho, precisa de uma quantidade razoável de alunos por sala, com professores que possam também ter uma jornada de trabalho razoável e não indecente, para que consigam estabelecer relações com a comunidade, e possam pactuar não violência com a comunidade", afirma.

"O que a gente vê, dadas as condições extremamente precarizadas de trabalho docente, é uma estrutura escolar que alimenta esse abismo entre os educadores e a comunidade — tanto as famílias, quanto os estudantes. Uma escola que vai perdendo sentido para os estudantes."

Ela alerta ainda que a violência contra professores não é uma exclusividade da escola pública.

"Na escola particular não temos muitos dados, porque você não entra nas escolas particulares para fazer pesquisa. Mas precisamos evitar a impressão de que a rede pública é complicada e a rede privada é uma maravilha — só não temos muitos dados da rede privada por conta dessa característica."

Estudante de 16 anos morre após ser atropelado por motorista embriagado em São José de Mipibu


A semana começa com enorme pesar para todos que fazem a educação do município de São José de Mipibu. O estudante Lucas Moisés da Silva Freitas, de 16 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira (27) no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, onde estava internado desde a noite de sexta-feira (24) em virtude de um atropelamento no centro da cidade.

O adolescente, que cursava o 1º ano do ensino médio na Escola Estadual Professor Francisco Barbosa, estava acompanhado de um amigo na Praça Monsenhor Paiva quando o veículo invadiu a calçada. 

De acordo com a Polícia Militar, o motorista responsável pelo atropelamento apresentava sinais de embriaguez e foi preso em flagrante no local. Levado para a delegacia, o condutor do veículo foi indiciado por três crimes: embriaguez ao volante, lesão corporal grave sob efeito de álcool e direção incompatível com a via.

Em decorrência do falecimento do jovem, a escola suspendeu as atividades letivas nesta segunda-feira em sinal de luto.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO

O velório de Lucas Moisés será realizado a partir das 13h30 de hoje no Centro Social Monsenhor Barros. O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério de São José de Mipibu.

NOTA DE PESAR

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (SINTE/RN) manifesta profundo pesar pelo falecimento do estudante Lucas Moisés da Silva Freitas, de 16 anos, aluno da Escola Estadual Professor Francisco Barbosa, em São José de Mipibu.

A direção do SINTE/RN expressa sua total solidariedade aos familiares, amigos, professores e colegas de classe do jovem neste momento de imensa dor que comove toda a comunidade escolar e a educação do município.

domingo, 26 de julho de 2026

26 de Julho | Dia de Sant'Ana e São Joaquim


Hoje, a cidade de São José de Mipibu se une em uma só voz e em um só coração para celebrar seus padroeiros: Sant'Ana e São Joaquim.

Mais do que uma data do calendário religioso, esta celebração representa a essência da identidade mipibuense, moldada pelo afeto, pela resiliência e por uma devoção que atravessa gerações.

Os avós de Jesus simbolizam o acolhimento, a sabedoria e os alicerces da família — valores que também alicerçam o povo trabalhador de Mipibu.

É nas procissões, nas orações compartilhadas e no olhar de cada cidadão que essa história se renova, revelando que a fé continua sendo a força que inspira a comunidade a superar desafios e a construir um futuro de esperança.

O SINTE-RN parabeniza e abraça toda a comunidade católica de São José de Mipibu neste dia tão sagrado.

Temos orgulho de caminhar ao lado de um povo que mantém viva a esperança e o compromisso com o bem comum.

Que Sant'Ana e São Joaquim continuem abençoando, protegendo e iluminando os lares e os caminhos de cada mipibuense!

Viva Sant'Ana! Viva São Joaquim!

Viva o povo de São José de Mipibu!

sábado, 25 de julho de 2026

25 de Julho | Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Celebrar o 25 de Julho é reconhecer uma história construída com coragem, inteligência, resistência e protagonismo. Mais do que uma data simbólica, é um convite à reflexão sobre as profundas contribuições das mulheres negras para a formação social, cultural, científica, política e econômica de nossos países, ao mesmo tempo em que reforça a urgência de enfrentar o racismo estrutural, o sexismo e todas as formas de exclusão.

Das lutas pioneiras de Lélia Gonzalez, que revolucionou o pensamento sobre raça, gênero e identidade latino-americana, à potência intelectual de Sueli Carneiro, referência na defesa dos direitos humanos e na produção acadêmica brasileira; da voz firme de Marielle Franco, cuja atuação política continua inspirando a democracia; da genialidade literária de Conceição Evaristo; da arte transformadora de Ruth de Souza, Zezé Motta e Taís Araújo; da força histórica de Antonieta de Barros, primeira deputada estadual negra do Brasil, e da representatividade de Benedita da Silva, cada trajetória reafirma que o protagonismo das mulheres negras é indispensável para a construção de sociedades mais justas, plurais e democráticas.

Na educação, esse compromisso também se expressa na valorização das educadoras, pesquisadoras, gestoras e estudantes negras que, diariamente, transformam escolas e universidades em espaços de produção de conhecimento, cidadania e emancipação, fortalecendo uma educação comprometida com os direitos humanos, o respeito à diversidade e a transformação social. 

A CNTE e o SINTE-RN reafirmam o compromisso permanente com uma educação pública, gratuita, laica, democrática e socialmente referenciada, que combata todas as formas de discriminação, valorize a pluralidade de identidades e culturas e contribua para a superação das desigualdades raciais, sociais e de gênero.

Julho das Pretas é memória que resgata histórias silenciadas, reconhecimento de quem transformou e continua transformando o Brasil e a América Latina, e compromisso permanente com a igualdade, a dignidade e a justiça social.

Que o legado dessas mulheres siga inspirando novas gerações a ocupar todos os espaços das salas de aula aos laboratórios, das universidades aos parlamentos, das artes às ciências,  das comunidades tradicionais aos centros de decisão — reafirmando que uma sociedade verdadeiramente democrática só se realiza quando as mulheres negras têm seus direitos plenamente garantidos e suas vozes efetivamente ouvidas. 

Viva o Julho das Pretas! 

Viva a força, a inteligência e o protagonismo das mulheres negras!


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sinte-RN critica projeto "Natal, capital da educação" e alerta para avanço da privatização do ensino público

O Sinte-RN manifestou preocupação com a adesão da Prefeitura de Natal ao projeto "Natal, capital da educação", apresentado durante a ExpoEduc. Para a entidade, a iniciativa, que reúne representantes do setor privado, organizações não governamentais e poder público, representa um avanço do processo de privatização da educação municipal.

Segundo a diretora de comunicação do Sinte-RN, professora Fátima Cardoso, a proposta vai além da participação de instituições privadas no ambiente escolar e abre espaço para interferências na condução pedagógica da Rede, fortalecendo um modelo educacional de orientação neoliberal e enfraquecendo o caráter público da educação.

Na avaliação da sindicalista, o projeto desconsidera problemas estruturais enfrentados pela Rede Municipal, como as precárias condições de trabalho, a falta de valorização dos profissionais da educação e a ausência de políticas construídas a partir da realidade vivida por estudantes e educadores nos territórios onde estão inseridos.

Embora reconheça que as propostas apresentadas possuam um discurso de modernização e democratização, a Diretora afirma que elas não foram concebidas a partir da lógica do serviço público. Para ela, além de favorecerem a transferência de recursos públicos para iniciativas privadas, essas propostas acabam impondo custos ao município sem enfrentar os reais desafios da educação.

Segundo Fátima, o Sinte-RN defende que a melhoria dos indicadores educacionais, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), depende de investimentos efetivos na rede pública. Entre as prioridades apontadas estão a recuperação da infraestrutura das escolas, a criação de ambientes adequados para as práticas pedagógicas, o cumprimento da Lei nº 11.738/2008, que assegura o tempo destinado ao planejamento docente, a valorização salarial, a oferta permanente de formação continuada e a ampliação do atendimento especializado aos estudantes com deficiência.

Para a entidade, não é possível prometer avanços no desempenho educacional sem enfrentar as condições de precarização vividas diariamente pelos profissionais da educação.

Fátima Cardoso também criticou o discurso apresentado por alguns palestrantes durante o evento. Segundo ela, determinadas abordagens transferem para os educadores uma responsabilidade que deveria ser assumida pelo poder público: "Esses projetos acabam impondo ao profissional um compromisso que vai além de suas capacidades, não pela formação acadêmica, mas pelas condições efetivas de trabalho. Frases como 'se o educador entende o propósito de sua existência, consegue, com o que tem, transformar vidas' romantizam a realidade e escondem a responsabilidade do Estado em garantir uma educação pública de qualidade", afirmou Fátima.

Fátima Cardoso ressalta que o compromisso da gestão pública deve ser assegurar condições de trabalho, justiça social e equidade, para que todos os estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade.

Ao final, a dirigente reafirma a posição do Sindicato contrária a qualquer forma de privatização da educação pública, seja ela explícita ou apresentada de maneira indireta. Para o Sinte-RN, a melhoria da educação exige investimentos públicos, valorização dos profissionais e fortalecimento da escola pública.

"Recursos públicos devem ser destinados exclusivamente à educação pública", conclui Fátima Cardoso.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Rede Estadual: 02 (dois) novos alvarás liberados para São José de Mipibu


O Núcleo do SINTE/RN em São José de Mipibu comunica que a Justiça efetuou a liberação de 02 (dois) novos alvarás em favor dos seguintes servidores da rede estadual:


LUCIA DE FÁTIMA FREITAS NOBRE
E. E. HILTON GURGEL DE CASTRO


ROBERTO DE SOUZA CINTRA
E. E. PROF. FRANCISCO BARBOSA


Os alvarás estão disponíveis para retirada no Núcleo do SINTE/RN

em São José de Mipibu, localizado na:

📍 Rua 15 de Novembro, 67, Centro.


⏰ Horário de atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 12h


Contatos para informações:

9 9104 1183 (Laelio)

9 9147 8224 (Rozangela)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O analfabeto político e as eleições de 2026


O Brasil inteiro está mobilizado pelas eleições que ocorrerão daqui a pouco mais de sessenta dias. Em breve, os(as) brasileiros(as) escolherão presidente da República, governadores(as), senadores(as), deputados(as) federais e estaduais.

Para refletir sobre esse tema, recorro ao conceito de leitura de mundo, desenvolvido pelo mestre Paulo Freire. Essa leitura vai além da alfabetização formal. Ela pressupõe compreender quem são os(as) candidatos(as), sua trajetória de vida, de que lado estiveram ao longo de sua atuação pública, qual é sua origem, quais interesses representam e quais práticas defendem.

Trata-se de uma leitura que analisa, reflete, contextualiza e questiona. É uma leitura rigorosa sobre a realidade, a geopolítica e a política como instrumento de transformação social, compreendendo as concepções que orientam cada partido e a forma como essas ideias se traduzem em práticas.

Essas são referências que um eleitor politicamente alfabetizado deve considerar antes de fazer sua escolha. Esse eleitor questiona, analisa o contexto e constrói um julgamento fundamentado. Já o analfabeto político tende a escolher seus candidatos sob a influência de vereadores(as), prefeitos(as), deputados(as), senadores(as), familiares ou amigos(as), sem desenvolver uma reflexão crítica sobre o voto.

O analfabeto político não tem consciência do poder transformador do seu voto. Não se compromete com um projeto de sociedade e renuncia à possibilidade de contribuir para a construção de um país mais justo por meio da escolha de seus representantes. Com isso, prejudica a si mesmo e a toda a sociedade quando elege pessoas que atuam na política para defender apenas interesses particulares ou de grupos específicos.

E nós, profissionais da educação, como atuamos nesse contexto eleitoral? Somos considerados(as) intelectuais em razão da nossa formação e, por isso, espera-se que tenhamos consciência da importância de escolher bem e defender os interesses coletivos. Estamos participando desse debate ou o ignoramos nas conversas do dia a dia, na sala de aula, entre amigos(as), ou até mesmo quando afirmamos que não gostamos de política?

Seja por ingenuidade ou por conveniência, nós, profissionais da educação, não deveríamos votar sem reflexão. Votar em troca de favores é um dos maiores equívocos políticos de um(a) cidadão(ã), pois contribui para a manutenção de estruturas de poder que fortalecem as elites e ampliam o poder daqueles que, muitas vezes, atuam contra os interesses da classe trabalhadora.

Nas eleições de 2026, podemos ampliar a representação das mulheres e dos(as) professores(as) nos parlamentos e demais espaços de decisão, tanto no cenário nacional quanto no estadual. Podemos defender os interesses coletivos da classe trabalhadora, contribuir para mudanças no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas e evitar eleger quem nunca defendeu a educação pública nem a valorização de seus profissionais. Está em nossas mãos construir essas alternativas.

Texto escrito por Fátima Cardoso
Professora, pedagoga, especialista em Educação e diretora de Comunicação do Sinte-RN.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Sem avanço nas negociações, educadores(as) de Natal cogitam greve

Decisão foi tomada em Assembleia na tarde desta quinta-feira (16)


Os educadores de Natal podem entrar em greve a partir de 3 de agosto caso as negociações com a gestão Paulinho Freire não avancem. Essa decisão, que será comunicada ao município, foi tomada na Assembleia promovida pelo Sinte-RN na tarde desta quinta-feira (16), no auditório da sede estadual da entidade.

Tanto os dirigentes do Sindicato quanto os profissionais da Rede Municipal apontam que o diálogo com a gestão não tem produzido resultados concretos, incluindo a falta de resolução por parte da mesa permanente de negociação, que pouco tem se reunido.

Entre outras coisas, a Rede acumula os seguintes problemas: desvalorização e perdas salariais; escolas e CMEIs com infraestrutura comprometida; mudança na matriz curricular; avanço de parcerias público-privadas (PPPs) na gestão da educação; além da terceirização da merenda escolar. A falta de autonomia nas escolas, os ataques à gestão democrática e a criação do cargo de educador voluntário também se somam à lista de problemas.

Para lutar contra isso, além de cogitar uma paralisação por tempo indeterminado, a categoria aprovou os seguintes encaminhamentos:

- Promover, no período de 17 a 27 de julho, debates nas escolas sobre a deflagração da greve;

- Realizar Ato no dia 27 de julho para deliberar sobre a greve;

- Deflagrar greve por tempo indeterminado a partir de 3 de agosto, caso não haja avanços nas negociações. Na data, realizar Assembleia;

- Realizar, no dia 20 de julho, reuniões virtuais com representantes das escolas, às 9h e às 15h, para discutir a organização do movimento grevista;

- Realizar reunião com o pessoal de Atendimento Educacional Especializado (AEE) no dia 30/07, às 8h e 14h, no Sinte-RN;

- Intensificar a campanha de denúncias nas redes sociais;

- Retomar as mobilizações nas escolas;

- Aguardar parecer do Departamento Jurídico do Sinte-RN sobre os efeitos da decisão do STF a respeito da inclusão do recreio na jornada de trabalho dos professores;

- Orientar os aposentados sem paridade a procurarem o Departamento Jurídico do Sinte-RN para análise individual de suas situações, à luz do novo entendimento do STF;

- Retomar aos 180 dias letivos;

- Fazer uma paralisação em conjunto com os estagiários;

- Cobrar a atualização dos quinquênios no MPN;

- Realizar protesto na inauguração da nova sede da SME;

- Lutar para garantir ao professor acesso ao direito à alimentação escolar;

- Encaminhar à assessoria jurídica a demanda acerda da mudança de classe;

- Verificar com o jurídico do Sinte-RN a discrepância entre o texto da Lei 241/2024 e o anexo II da matéria;

- Acompanhar a LDO;

- Enfrentar os casos de violência nas escolas; e

- Realizar estudo sobre as horas excedentes do tempo integral e o pagamento do sábado letivo.

Lei garante licença remunerada para pós-graduação de professores da rede pública

 

A norma se destina aos professores da educação básica da rede pública

A Lei 15.462/26 garante aos professores da educação básica da rede pública o direito de utilizar a licença remunerada para fazer cursos de qualificação, cursos de pós-graduação (como especialização, mestrado e doutorado) ou pesquisas na área da educação.

Atualmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) já prevê o aperfeiçoamento contínuo dos docentes, mas não detalha as modalidades, o que muitas vezes dificulta a liberação de professores para estudos mais longos ou pesquisas de campo.

Projeto da Câmara

A nova norma teve origem no Projeto de Lei 96/24, do deputado Idilvan Alencar (PSB-CE), aprovado na Câmara e no Senado.

Da Agência Senado
Edição - ND

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Senadores endurecem penas para crimes contra professores e médicos

O texto propõe que a condenação pode ser aumentada em dois terços ou dobrada para crimes como lesão corporal, ameaça, incitação ao crime, desacato, homicídio e outros delitos


O plenário do Senado aprovou na noite da última quarta-feira (15) projeto de lei que aumenta as penas para os crimes praticados contra médicos e professores no exercício de suas funções. Como foi modificada, a matéria retorna à Câmara dos Deputados.

O texto, que altera o Código Penal, propõe que a condenação pode ser aumentada em dois terços ou dobrada para crimes como lesão corporal, ameaça, incitação ao crime, desacato, homicídio e outros delitos.

O relator do projeto, senador Dr. Hiran (PP-RR), defendeu a aprovação dele com base no aumento preocupante de casos de violência contra esses profissionais.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta o aumento de 68% nos casos de violência contra médicos nos últimos dez anos.

Pesquisa recente realizada pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) revelou que oito a cada dez profissionais da saúde atuantes em serviços de emergência já foram vítimas de algum tipo de agressão no local de trabalho.

“Os profissionais de saúde que trabalham nas UPAs [Unidades de Pronto Atendimento], assim como nossos professores, vêm sendo submetidos a muitos tipos de agressão. Muitas vezes esses profissionais são os anteparos de todo um sistema que é falho nessa atenção; eles acabam recebendo todo o peso da agonia das pessoas”, diz o relator.

Entre 2020 e 2024, cerca de 14.981 boletins de ocorrência foram registrados em todo o país por médicos que relataram episódios de ofensas verbais e físicas sofridas em ambiente hospitalar.

Na área de educação, após uma investigação internacional envolvendo mais de 100 mil profissionais, o Brasil ocupou a primeira posição no ranking de violência contra docentes entre os países membros da OCDE.

No país, aproximadamente 12% dos profissionais afirmam ser vítimas de insultos verbais ou intimidações ao menos uma vez por semana.

Uma análise de dados nacionais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) revelou que o número de casos de violência no ambiente escolar mais do que triplicou em dez anos.

Senado aprova inclusão de educação financeira nos currículos dos ensinos fundamental e médio

Texto prevê que assunto esteja presente em todos os anos de ensino, não ficando exclusivo para uma única faixa de idade, assim como acontece com as demais disciplinas básicas.



Por Vinícius Cassela, g1 — Brasília

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) um projeto de lei que insere educação financeira na grade curricular dos ensinos fundamental e médio.

Por conta de alterações propostas pela relatora, a senadora e líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), agora o texto retorna para a Câmara dos Deputados, onde será revalidado pelos deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A proposta, de autoria da deputada federal Any Ortiz (Cidadania-RS) estabelece que o ensino será "transversal e integrador" em toda a base curricular.

A ideia de um ensino transversal é que ele permeie todos os anos de ensino, não ficando exclusivo para uma única faixa, assim como acontece com as demais disciplinas básicas, como matemática, português e história.

"Esse desenvolvimento integral exige, de forma cada vez mais evidente, a compreensão da realidade econômica e a capacidade de tomada de decisões sobre consumo consciente, inclusive como instrumento de prevenção ao endividamento futuro", disse Teresa Leitão.

"[Com o ensino transversal] preserva-se a flexibilidade necessária à organização curricular dos estabelecimentos de ensino e evita-se a sobrecarga da matriz curricular, ao mesmo tempo em que se assegura a permeabilidade do tema às diversas áreas do conhecimento", completou a senadora.

A relatora ainda propôs e aprovou uma emenda ao texto que amplia o escopo da educação financeira, exigindo que também sejam ensinados conceitos sobre previdência, tributos e seguros.

"Ao se estender a abordagem para além da dimensão estritamente financeira, alcançando as dimensões fiscal, previdenciária e securitária, amplia-se a capacidade do cidadão de compreender seus direitos e deveres perante o Estado e o mercado, de entender as forças e interesses que operam nessas dimensões e de planejar conscientemente o seu futuro", disse a petista.