O Brasil é o país com a maior população negra fora da África. Nossa identidade nacional foi construída pelas mãos, pela resistência, pela cultura e pela força dos africanos e seus descendentes. Durante mais de três séculos seguidos, milhões de homens e mulheres foram arrancados de sua terra, trazidos para este país na condição de escravizados e submetidos a jornadas desumanas de trabalho, violência e negação de direitos. Foram os negros que ajudaram a construir a economia agroexportadora nacional, os engenhos, as estradas, as cidades, a cultura e a própria formação do povo brasileiro.
Mesmo diante de tanta dor e injustiça, os negros nunca deixaram de resistir. E foi dessa resistência que nasceram algumas das maiores riquezas culturais do Brasil. A umbanda e o candomblé seguem preservando a espiritualidade de matriz africana, apesar da intolerância religiosa e do racismo que ainda sofrem diariamente. O samba, maior símbolo musical do Brasil no mundo, nasceu nos terreiros, nos morros e nas comunidades negras. O forró nordestino também carrega fortes influências africanas em seus ritmos, danças e instrumentos. Até mesmo a música caipira possui profundas raízes africanas misturadas às tradições indígenas e europeias.
O Brasil que encanta o mundo é negro, mulato, mestiço, pardo, caboclo e cafuzo. É o Brasil da mistura de povos, cores, culturas e sotaques. É esse povo miscigenado que representa a verdadeira face da nação brasileira de norte a sul do país.
Também é impossível falar do orgulho nacional sem reconhecer as grandes personalidades negras que elevaram o nome do Brasil. Artistas, atletas, intelectuais, escritores, músicos, professores, líderes populares e trabalhadores anônimos que ajudaram e ajudam diariamente a construir este país. O talento negro brasileiro brilhou e continua brilhando nos esportes, na música, na literatura, nas universidades, nas artes e em todas as áreas da sociedade.
Mas ainda há muito a ser feito. Negros, pardos, mulatos, mestiços e cafuzos representam cerca de 60% da população brasileira e continuam sendo os que mais sofrem com o desemprego, os baixos salários, a violência, a falta de oportunidades e o preconceito racial. São também os que mais enfrentam dificuldades de acesso à educação, saúde, moradia digna e espaços de poder.
Por isso, o 13 de Maio deve ser mais do que uma simples lembrança da assinatura de uma lei. Deve ser um compromisso permanente com a igualdade racial, com a valorização da cultura negra e com a construção de um Brasil verdadeiramente justo, democrático e sem racismo.
Exaltar a contribuição do povo negro não é favor. É reconhecer a verdade histórica do nosso país. Sem o povo negro, não existiria o Brasil que conhecemos hoje.
Laelio Costa
SINTE/RN – Núcleo São José de Mipibu

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