segunda-feira, 27 de julho de 2026

A epidemia de violência contra professores no Brasil: 'Fui ameaçada de morte pelo pai de um aluno de 6 anos'

Mais de 65% dos professores brasileiros dizem já ter sofrido alguma forma de agressão na sala de aula ou ambiente escolar, diz pesquisa.


Thais Carranca
BBC News Brasil em São Paulo (SP)

A professora Marta não consegue esquecer o que ela descreve como a situação mais agressiva pela qual passou em seus 50 anos de vida e 26 de magistério. Em março de 2023, ela foi ameaçada de morte pelo pai de um aluno do 1º ano do ensino fundamental.

"Ele ligou na escola e falou que 'ia matar aquela vagabunda'", lembra a professora de uma escola municipal da Zona Oeste de São Paulo, que preferiu ter seu nome verdadeiro preservado nesta reportagem.

"Como onde trabalhamos é uma comunidade, essas coisas não podem ser negligenciadas, porque a lei ali é diferente."

Ela conta que o pai do aluno era conhecido por "ter um certo cartaz na comunidade" (ou seja, ter envolvimento com o crime, ela explica) e estava insatisfeito com a performance escolar do filho, que, com 6 anos, tinha dificuldade para entender a lição de casa e não estava se adaptando bem à transição do ensino infantil para o fundamental. A família culpava a professora pelos problemas.

Marta soube da ameaça de morte pela coordenadora da escola, quando estava já em seu segundo emprego, em outra escola da região. Naquela noite, ela conta que fez um boletim de ocorrência na polícia, acompanhada apenas pelo marido.

"Passei a noite na delegacia e me senti muito sozinha, não teve ninguém da gestão junto comigo", relata a professora.

"No dia seguinte, eu não podia voltar à escola, então fui ao médico. Contei todo o ocorrido à psiquiatra, e ela me afastou imediatamente."

Com medo, Marta optou por não representar criminalmente contra o agressor. A Prefeitura a afastou da escola onde ocorreu o fato, e ela completou o ano letivo em outra unidade.

Então, minhas perdas não foram tantas, mas meu problema psicológico foi horroroso, porque eu não sabia com quem eu estava lidando", diz a professora, que mora próximo à comunidade onde fica a escola.

"O meu quarto tem uma vidraça na frente, e eu cheguei a pedir para meu marido para trocar de quarto, porque achava que poderia sofrer alguma agressão. Fiquei com pânico de dormir."

O caso da professora paulistana não é um fato isolado. Uma pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP) com 1.144 professores revela que 65% dos entrevistados afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão em sala de aula ou no ambiente escolar.

A violência verbal é a mais comum, representando 71% das agressões, seguida pela psicológica e moral (58%), a institucional (27%) e a física (19%).

O Brasil também lidera o ranking de violência contra professores em levantamento feito em 2024 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ouviu 280 mil professores e diretores de escola de 55 países.

No país, 47% dos professores relatam ser intimidados ou abusados ​​verbalmente por alunos como uma fonte de estresse, ante uma média global de cerca de 18%.

O tema da violência contra educadores voltou ao debate público após o caso da professora Michele Ramos, de São José dos Campos, que registrou um boletim de ocorrência depois de alunos colocarem uma lâmina de vidro em seu copo de água durante a aula em uma escola municipal.

A BBC News Brasil procurou a Secretaria de Educação e Cidadania de São José dos Campos para saber as providências tomadas em relação ao caso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A professora Michele Ramos, de São José dos Campos, registrou um boletim de ocorrência após alunos colocarem uma lâmina de vidro em seu copo de água


Múltiplas formas de violência

A psicóloga Renata Paparelli, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), trabalha com o atendimento clínico de professores vítimas da violência da rede municipal de São Paulo.

Ela afirma, a partir de sua experiência, que os professores estão sujeitos a múltiplas formas de violência em seu cotidiano. "Costumamos dizer que tem a violência da escola, a violência na escola, e a violência contra a escola", diz Paparelli.

A violência da escola, explica a psicóloga, é a que resulta de políticas públicas pouco afeitas às características da população a ser atendida.

"Elas vêm de cima para baixo, incorporando projetos sem oferecer as mínimas condições para a realização deles", diz a psicóloga.

"Um dos exemplos, na maior parte das escolas ou em muitas escolas, são os projetos de inclusão dos PCDs [pessoas com deficiência] nas salas de aula regular. Longe de ser contra essa ideia, mas sabemos todos que é preciso que haja condições para essa implantação."

A violência na escola é a mais conhecida e que, com alguma frequência, chega ao noticiário, diz Paparelli. "São os alunos contra os educadores, e também a gestão pouco aberta ou impotente diante das demandas dos educadores", exemplifica.

Por fim, a violência contra a escola abrange as depredações do patrimônio escolar e a desvalorização da escola como instituição importante para a educação de crianças e adolescentes. "A escola e seus educadores vêm ganhando cada vez menos espaço prestigiado [na sociedade]", observa.

O Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es da Universidade Federal Fluminense (Onve-UFF) tem ainda acompanhado nos últimos anos o avanço da perseguição contra professores, uma forma de violência que se expressa em práticas como censura, tentativas de intimidação, exposição nas redes sociais e assédio jurídico.

Segundo estudo realizado pelo grupo com mais de 3 mil educadores, 61% dos professores da educação básica e 55% do ensino superior dizem já ter passado por esse tipo de violência.

foto,Falta de estrutura adequada para atender alunos com deficiência é apontada por especialista como uma das formas de violência nas escolas públicas


Soco no peito e dedo decepado


Citada pela professora da PUC-SP como uma das formas de violência no ambiente escolar, a falta de estrutura e pessoal suficiente para atender aos alunos com deficiência na educação regular pública está no centro de alguns dos episódios de violência física vivenciados por professores.

Pedro, de 40 anos e professor em uma escola municipal no bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, foi agredido com um soco por um aluno com autismo.

O caso ocorreu em 2024, em um dia em que o grêmio da escola realizava uma atividade sobre o Dia do Orgulho LGBTQIAP+.

"Era um aluno com deficiência, mas que tinha esses acessos de agressão, e não sabemos exatamente, mas parece que ele frequentava esses fóruns de extrema direita, e tinha muito ódio quando se falava sobre questões como feminismo, orgulho LGBT, etc", conta Pedro, que teve sua identidade preservada nesta reportagem.

"Ele foi para cima das alunas que estavam realizando a atividade, eu intervi para evitar que elas fossem agredidas, e acabei tomando um soco", lembra o professor. "Os alunos e inspetores depois ajudaram a contê-lo."

"Quando cheguei em casa e fui tomar banho, vi a marca da mão dele no meu peito. Eu fiquei bem, bem triste."

Pedro fez um relato do episódio à escola e recebeu a opção de se afastar com uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), documento enviado ao INSS para informar sobre doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.

"Mas eu pensei 'não, vou encarar e voltar'. Porque, muitas vezes, quando acontecem esses casos de colegas que são afastados por essas situações, fica difícil voltar depois."


Atividade sobre o Dia do Orgulho LGBTQIAP+ gerou reação de aluno autista e resultou em agressão contra professor em escola na Zona Norte de São Paulo

A professora Michelle Bernardes está nesse momento afastada há quase três meses, após um episódio ainda mais grave do que o de Pedro, e também envolvendo um aluno com deficiência.

Educadora em uma escola municipal na Zona Leste de São Paulo, ela teve o dedo médio da mão direita parcialmente decepado em sala de aula, enquanto tentava organizar a turma em que um aluno com deficiência intelectual passava por uma crise de desregulação emocional, atirando carteiras e cadeiras ao chão.

"Para protegê-lo e proteger os estudantes que estavam na sala, e os estudantes que estavam fora, no corredor, eu fui para a porta da sala de aula segurar, ficar ali, e orientar os estudantes", contou Michelle, em vídeo publicado no Instagram.

Em meio à confusão, o estudante chutou a porta da sala de aula, que bateu na mão da professora, resultando na amputação de um de seus dedos.

"Eu pensei, 'caramba, quebrei meu dedo'. Mas não foi só uma quebra, ele foi de fato decepado. Não sei como não desmaiei, mas estava preocupada com o estudante que precisava de regulação e com os demais, que estavam apavorados", relatou a professora.

"Uma estudante conseguiu pegar o resto do dedo no chão e me deu, fomos para a UBS do lado da escola, que me atendeu com todo cuidado", completou.

Agora, Michelle se recupera após passar por duas cirurgias e aguarda que o dedo ferido cicatrize para poder começar a fisioterapia e devolver alguma funcionalidade ao que restou do membro parcialmente amputado.

"Então, passo por uma dor individual, que estou tendo que trabalhar comigo, e uma dor coletiva, pois não desejo que nenhum estudante e nenhum educador passe pelo o que eu estou passando", diz a professora, à BBC News Brasil.

A professora Michelle Bernardes teve um dedo decepado após um aluno com deficiência chutar a porta da sala de aula

















Estudante de 16 anos morre após ser atropelado por motorista embriagado em São José de Mipibu


A semana começa com enorme pesar para todos que fazem a educação do município de São José de Mipibu. O estudante Lucas Moisés da Silva Freitas, de 16 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira (27) no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, onde estava internado desde a noite de sexta-feira (24) em virtude de um atropelamento no centro da cidade.

O adolescente, que cursava o 1º ano do ensino médio na Escola Estadual Professor Francisco Barbosa, estava acompanhado de um amigo na Praça Monsenhor Paiva quando o veículo invadiu a calçada. 

De acordo com a Polícia Militar, o motorista responsável pelo atropelamento apresentava sinais de embriaguez e foi preso em flagrante no local. Levado para a delegacia, o condutor do veículo foi indiciado por três crimes: embriaguez ao volante, lesão corporal grave sob efeito de álcool e direção incompatível com a via.

Em decorrência do falecimento do jovem, a escola suspendeu as atividades letivas nesta segunda-feira em sinal de luto.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO

O velório de Lucas Moisés será realizado a partir das 13h30 de hoje no Centro Social Monsenhor Barros. O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério de São José de Mipibu.

NOTA DE PESAR

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (SINTE/RN) manifesta profundo pesar pelo falecimento do estudante Lucas Moisés da Silva Freitas, de 16 anos, aluno da Escola Estadual Professor Francisco Barbosa, em São José de Mipibu.

A direção do SINTE/RN expressa sua total solidariedade aos familiares, amigos, professores e colegas de classe do jovem neste momento de imensa dor que comove toda a comunidade escolar e a educação do município.

domingo, 26 de julho de 2026

26 de Julho | Dia de Sant'Ana e São Joaquim


Hoje, a cidade de São José de Mipibu se une em uma só voz e em um só coração para celebrar seus padroeiros: Sant'Ana e São Joaquim.

Mais do que uma data do calendário religioso, esta celebração representa a essência da identidade mipibuense, moldada pelo afeto, pela resiliência e por uma devoção que atravessa gerações.

Os avós de Jesus simbolizam o acolhimento, a sabedoria e os alicerces da família — valores que também alicerçam o povo trabalhador de Mipibu.

É nas procissões, nas orações compartilhadas e no olhar de cada cidadão que essa história se renova, revelando que a fé continua sendo a força que inspira a comunidade a superar desafios e a construir um futuro de esperança.

O SINTE-RN parabeniza e abraça toda a comunidade católica de São José de Mipibu neste dia tão sagrado.

Temos orgulho de caminhar ao lado de um povo que mantém viva a esperança e o compromisso com o bem comum.

Que Sant'Ana e São Joaquim continuem abençoando, protegendo e iluminando os lares e os caminhos de cada mipibuense!

Viva Sant'Ana! Viva São Joaquim!

Viva o povo de São José de Mipibu!

sábado, 25 de julho de 2026

25 de Julho | Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Celebrar o 25 de Julho é reconhecer uma história construída com coragem, inteligência, resistência e protagonismo. Mais do que uma data simbólica, é um convite à reflexão sobre as profundas contribuições das mulheres negras para a formação social, cultural, científica, política e econômica de nossos países, ao mesmo tempo em que reforça a urgência de enfrentar o racismo estrutural, o sexismo e todas as formas de exclusão.

Das lutas pioneiras de Lélia Gonzalez, que revolucionou o pensamento sobre raça, gênero e identidade latino-americana, à potência intelectual de Sueli Carneiro, referência na defesa dos direitos humanos e na produção acadêmica brasileira; da voz firme de Marielle Franco, cuja atuação política continua inspirando a democracia; da genialidade literária de Conceição Evaristo; da arte transformadora de Ruth de Souza, Zezé Motta e Taís Araújo; da força histórica de Antonieta de Barros, primeira deputada estadual negra do Brasil, e da representatividade de Benedita da Silva, cada trajetória reafirma que o protagonismo das mulheres negras é indispensável para a construção de sociedades mais justas, plurais e democráticas.

Na educação, esse compromisso também se expressa na valorização das educadoras, pesquisadoras, gestoras e estudantes negras que, diariamente, transformam escolas e universidades em espaços de produção de conhecimento, cidadania e emancipação, fortalecendo uma educação comprometida com os direitos humanos, o respeito à diversidade e a transformação social. 

A CNTE e o SINTE-RN reafirmam o compromisso permanente com uma educação pública, gratuita, laica, democrática e socialmente referenciada, que combata todas as formas de discriminação, valorize a pluralidade de identidades e culturas e contribua para a superação das desigualdades raciais, sociais e de gênero.

Julho das Pretas é memória que resgata histórias silenciadas, reconhecimento de quem transformou e continua transformando o Brasil e a América Latina, e compromisso permanente com a igualdade, a dignidade e a justiça social.

Que o legado dessas mulheres siga inspirando novas gerações a ocupar todos os espaços das salas de aula aos laboratórios, das universidades aos parlamentos, das artes às ciências,  das comunidades tradicionais aos centros de decisão — reafirmando que uma sociedade verdadeiramente democrática só se realiza quando as mulheres negras têm seus direitos plenamente garantidos e suas vozes efetivamente ouvidas. 

Viva o Julho das Pretas! 

Viva a força, a inteligência e o protagonismo das mulheres negras!


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sinte-RN critica projeto "Natal, capital da educação" e alerta para avanço da privatização do ensino público

O Sinte-RN manifestou preocupação com a adesão da Prefeitura de Natal ao projeto "Natal, capital da educação", apresentado durante a ExpoEduc. Para a entidade, a iniciativa, que reúne representantes do setor privado, organizações não governamentais e poder público, representa um avanço do processo de privatização da educação municipal.

Segundo a diretora de comunicação do Sinte-RN, professora Fátima Cardoso, a proposta vai além da participação de instituições privadas no ambiente escolar e abre espaço para interferências na condução pedagógica da Rede, fortalecendo um modelo educacional de orientação neoliberal e enfraquecendo o caráter público da educação.

Na avaliação da sindicalista, o projeto desconsidera problemas estruturais enfrentados pela Rede Municipal, como as precárias condições de trabalho, a falta de valorização dos profissionais da educação e a ausência de políticas construídas a partir da realidade vivida por estudantes e educadores nos territórios onde estão inseridos.

Embora reconheça que as propostas apresentadas possuam um discurso de modernização e democratização, a Diretora afirma que elas não foram concebidas a partir da lógica do serviço público. Para ela, além de favorecerem a transferência de recursos públicos para iniciativas privadas, essas propostas acabam impondo custos ao município sem enfrentar os reais desafios da educação.

Segundo Fátima, o Sinte-RN defende que a melhoria dos indicadores educacionais, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), depende de investimentos efetivos na rede pública. Entre as prioridades apontadas estão a recuperação da infraestrutura das escolas, a criação de ambientes adequados para as práticas pedagógicas, o cumprimento da Lei nº 11.738/2008, que assegura o tempo destinado ao planejamento docente, a valorização salarial, a oferta permanente de formação continuada e a ampliação do atendimento especializado aos estudantes com deficiência.

Para a entidade, não é possível prometer avanços no desempenho educacional sem enfrentar as condições de precarização vividas diariamente pelos profissionais da educação.

Fátima Cardoso também criticou o discurso apresentado por alguns palestrantes durante o evento. Segundo ela, determinadas abordagens transferem para os educadores uma responsabilidade que deveria ser assumida pelo poder público: "Esses projetos acabam impondo ao profissional um compromisso que vai além de suas capacidades, não pela formação acadêmica, mas pelas condições efetivas de trabalho. Frases como 'se o educador entende o propósito de sua existência, consegue, com o que tem, transformar vidas' romantizam a realidade e escondem a responsabilidade do Estado em garantir uma educação pública de qualidade", afirmou Fátima.

Fátima Cardoso ressalta que o compromisso da gestão pública deve ser assegurar condições de trabalho, justiça social e equidade, para que todos os estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade.

Ao final, a dirigente reafirma a posição do Sindicato contrária a qualquer forma de privatização da educação pública, seja ela explícita ou apresentada de maneira indireta. Para o Sinte-RN, a melhoria da educação exige investimentos públicos, valorização dos profissionais e fortalecimento da escola pública.

"Recursos públicos devem ser destinados exclusivamente à educação pública", conclui Fátima Cardoso.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Rede Estadual: 02 (dois) novos alvarás liberados para São José de Mipibu


O Núcleo do SINTE/RN em São José de Mipibu comunica que a Justiça efetuou a liberação de 02 (dois) novos alvarás em favor dos seguintes servidores da rede estadual:


LUCIA DE FÁTIMA FREITAS NOBRE
E. E. HILTON GURGEL DE CASTRO


ROBERTO DE SOUZA CINTRA
E. E. PROF. FRANCISCO BARBOSA


Os alvarás estão disponíveis para retirada no Núcleo do SINTE/RN

em São José de Mipibu, localizado na:

📍 Rua 15 de Novembro, 67, Centro.


⏰ Horário de atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 12h


Contatos para informações:

9 9104 1183 (Laelio)

9 9147 8224 (Rozangela)

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O analfabeto político e as eleições de 2026


O Brasil inteiro está mobilizado pelas eleições que ocorrerão daqui a pouco mais de sessenta dias. Em breve, os(as) brasileiros(as) escolherão presidente da República, governadores(as), senadores(as), deputados(as) federais e estaduais.

Para refletir sobre esse tema, recorro ao conceito de leitura de mundo, desenvolvido pelo mestre Paulo Freire. Essa leitura vai além da alfabetização formal. Ela pressupõe compreender quem são os(as) candidatos(as), sua trajetória de vida, de que lado estiveram ao longo de sua atuação pública, qual é sua origem, quais interesses representam e quais práticas defendem.

Trata-se de uma leitura que analisa, reflete, contextualiza e questiona. É uma leitura rigorosa sobre a realidade, a geopolítica e a política como instrumento de transformação social, compreendendo as concepções que orientam cada partido e a forma como essas ideias se traduzem em práticas.

Essas são referências que um eleitor politicamente alfabetizado deve considerar antes de fazer sua escolha. Esse eleitor questiona, analisa o contexto e constrói um julgamento fundamentado. Já o analfabeto político tende a escolher seus candidatos sob a influência de vereadores(as), prefeitos(as), deputados(as), senadores(as), familiares ou amigos(as), sem desenvolver uma reflexão crítica sobre o voto.

O analfabeto político não tem consciência do poder transformador do seu voto. Não se compromete com um projeto de sociedade e renuncia à possibilidade de contribuir para a construção de um país mais justo por meio da escolha de seus representantes. Com isso, prejudica a si mesmo e a toda a sociedade quando elege pessoas que atuam na política para defender apenas interesses particulares ou de grupos específicos.

E nós, profissionais da educação, como atuamos nesse contexto eleitoral? Somos considerados(as) intelectuais em razão da nossa formação e, por isso, espera-se que tenhamos consciência da importância de escolher bem e defender os interesses coletivos. Estamos participando desse debate ou o ignoramos nas conversas do dia a dia, na sala de aula, entre amigos(as), ou até mesmo quando afirmamos que não gostamos de política?

Seja por ingenuidade ou por conveniência, nós, profissionais da educação, não deveríamos votar sem reflexão. Votar em troca de favores é um dos maiores equívocos políticos de um(a) cidadão(ã), pois contribui para a manutenção de estruturas de poder que fortalecem as elites e ampliam o poder daqueles que, muitas vezes, atuam contra os interesses da classe trabalhadora.

Nas eleições de 2026, podemos ampliar a representação das mulheres e dos(as) professores(as) nos parlamentos e demais espaços de decisão, tanto no cenário nacional quanto no estadual. Podemos defender os interesses coletivos da classe trabalhadora, contribuir para mudanças no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas e evitar eleger quem nunca defendeu a educação pública nem a valorização de seus profissionais. Está em nossas mãos construir essas alternativas.

Texto escrito por Fátima Cardoso
Professora, pedagoga, especialista em Educação e diretora de Comunicação do Sinte-RN.